
25/05/2004 07:48
eu voltei, agora pra ficar.... porque aqui... aqui é o meu lugar!!.. eu voltei...
já que ele voltou a ler... eu volto a escrever... (subjetividades!!)
atenção leitores deste blog: está de volta a mais incrível saga de todos os tempos... Horácio -o cavaleiro marginal, andante e solitário- Fofuras, em mais uma de suas aventuras no reino da Dinamarca!! (pra quem ainda não conhece, trata-se de histórias subjetivas... tão subjetivas que às vezes eu não entendo! hehehe) apenas divirtam-se!... NO AR:
A Saga de Horácio Fofuras Parte V:
O Mistério do Assassinato do Anão da Rampa
Ficha técnica:
Argumento: Zandali
Texto: Samuel Beckett e Zandali
Participação especial na rubrica: Lô Borges
Ilustração: Pimentta
Ato I
Horácio Hamm (olhando da janela lateral do quarto de dormir): Chega, chega, vocês não me deixam dormir. (Pausa) Falem mais baixo. (Pausa) Se eu dormisse talvez fizesse amor. Fugiria para a floresta. Meus olhos veriam... o céu, a terra. Correria tanto que não me pegariam. (Pausa) Natureza! (Pausa) Há uma goteira na minha cabeça. (Pausa) Um coração, um coração na cabeça.
Ofélia Clov (aproximando-se): É isso.
Horácio Hamm: A cada um sua especialidade. (Pausa) Alguém telefonou? (Pausa) A gente não ri?
Ofélia Clov: Não tenho vontade.
Horácio Hamm:(depois de refletir) Nem eu. (Pausa) Clov.
Ofélia Clov: Fale.
Horácio Hamm:A natureza nos esqueceu.
Ofélia Clov: Não existe mais natureza. (...) Nas redondezas. (...) Ninguém nunca pensou de modo tão tortuoso como nós.
Ato II
(Ouvem-se gritos, sirenes, barulhos de engrenagens. Algo parece estar errado nos mecanismos de rampas da Dinamarca)
Horácio Hamm:Mas o que está acontecendo?
Ofélia Clov: Alguma coisa segue seu curso.
Horácio Hamm: Está na hora de minha história. Quer ouvir minha história? (Ofélia apenas fita-o)
Horácio Hamm: ...hora da história... (Pausa. Tom narrativo) O homem rastejava lentamente em minha direção, arrastando-se sobre o ventre. Era de uma palidez e uma magreza admiráveis e parecia a ponto de... Calmamente enchi meu cachimbo de porcelana, acendi-o com... fósforos finos, digamos, traguei algumas vezes. Ah! (Pausa) Fazia um frio de rachar naquele dia. Me lembro, o termômetro marcava zero. (Pausa) Então, que bons ventos o trazem? Ele ergueu para mim o rosto escuro de lama e lágrimas. (Pausa. Imitando o anão agonizante) Não, não olhe pra mim! Não olhe pra mim. (Pausa. Retomando a narração) Abaixou os olhos.... O sol já mergulhava no... na... entre os mortos.
Ato III
Ofélia Clov: Hamm, você sabe contar histórias de mistério!...
Horácio Hamm: (Com modéstia) Ah! nem tanto, nem tanto... Há aqueles dias em que a inspiração não vem. (Pausa) É preciso esperar por ela. (Continuando) Ele vem se arrastando pelo chão...
Ofélia Clov: Ele quem?
Horácio Hamm: Como?
Ofélia Clov: Quem é ele?
Horácio Hamm: Ele quem. Mais um.
Ofélia Clov: Ah! aquele! Não tinha certeza.
Horácio Hamm: Se arrastando pelo chão, implorar pão para seu pirralho. Recebe a oferta de uma vaga de jardineiro. Antes de a... (Clov ri) Qual a graça disso?
Ofélia Clov: Uma vaga de jardineiro... Não seria anão de rampa?
Horácio Hamm: Sim, mas teríamos que abandonar os textos do Beckett... não há anões de rampa, apesar do absurdo!
Ato IV (sem Becket!)
Horácio Hamm: Ah! agora sim... liberdade poética! Esse texto do Beckett estava muito denso.... Podemos mudar o olhar?
Ofélia Clov: Sim, mas agora eu contarei a história... A teoria das rampas é minha!!
Horácio Hamm: Prossiga então...
Ofélia Clov: Dinamarca... cidade onde só há subidas, não importa a direção em que você ande... subida na ida... subida na volta.... sempre subidas.... Precisava resolver este mistério e passei a observar como se formavam as rampas... Um dia, um capuz vermelho pareceu correr na linha do horizonte (formada pela subida).... acelerei o passo e encontrei o corpo! Mas antes de morrer (como em toda boa morte do cinema)... ele (o anão) ergueu para mim o rosto escuro de lama e lágrimas. (Pausa. Imitando o anão agonizante) Não, não olhe pra mim! Não olhe pra mim. (Pausa. Retomando o tom narrativo) O pequeno anão parecia ter sido assassinado!
Horácio Hamm: E quem o matou?
Ofélia Clov: Horácio, querido... Li muitos livros da Ágata Christie e posso afirmar: Anões de rampa não tem mordonos!
Horácio Hamm: Oh!
Ofélia Clov: Elementar.... A solução estava em Edgar Alan Poe: o anão escorregou com a chuva e caiu em cima da alavanca da rampa... Muito simples... Tudo não passou de um acidente!
Ato V
Horácio Hamm: Ofélia... Essa história está sem sentido?!
Ofélia Clov: (voltando a Beckett) Que palavras então para o quê? Quão quase elas soam ainda. Como se dalgum modo dalgum mole de mente borbotassem. De modo que quase todo inanes. Até o último inminorável menor resistindo tanto a minorar. Porque então de dentro do máximo obscuro para um todo intotal maximamente minorado.
Horácio Hamm: Ofélia, pare de ler Beckett... isto está um nonsense....
Ofélia Clov: É como você diz.... O mundo é muito esquisito mesmo! (é tudo culpa da minha insônia!)
Fim
Caracas... só agora li meu horóscopo: A Lua em Leão desperta o seu lado mais criativo e mostra a alegria que você encontra quando pode fazer as coisas de que mais gosta, exatamente do jeito que você quer. O único problema é Netuno, que do outro lado do céu, fica soprando um vago e indefinido sentimento de culpa.
enviada por Zandali
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